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"Apita Abílio"


[... - O Abílio era o maquinista natural da terra, que assim cumprimentava a todos, e de uma só vez.]
[In Contos dos Montes Ermos 'O Comboio' de António Sá Gué]

Em Jun/2022 o António Carvalho, "o filho do meio" do Apita Abílio, a residir no Brasil, escreveu:
 
Muitos anos atrás,
Meu pai rodando por aí.
Hoje já nem lembra!!!
O raio desse Alzheimer,
O desmemorizou!...
Mas não apagou
A história que construiu,
Nem a crença que propagou,
APÍTA ABILIO!!!
Tanto tempo já passou,
Que já virou história!!!
Quanto eu viajei,
Criança,
Nesse trem,
Bem antes
Dessa perda de memória!!!...
Trago ainda comigo
A felicidade expressa
No sorriso de criança!!!...
Os anos passam, mas as recordações ficam,
Até o "Raio" da fornalha,
Essa coisa infernal,
De carvão ardente
Que felizmente
Me proporcionaste.
Nessa altura, confesso,
Me alegraste e me assustaste

APITA ABILIO!!!
Ficou para a história...
E eu passei a minha infância, detestando dizerem isso,
Mas hoje me orgulho Pai!!!
"APITA ABILIO"... é a tua marca PAI!!!
Quem dera voltar amanhã
E te sentir "APITANDO" como há tantos anos atrás...

Quanta vontade 
De reestruturar
A SAUDADE!!!
Eu...Minha Irmã...Meu Irmão...
"APITA ABILIO"... e haja coração...

Mas deixa te dizer,
Tudo o que já fui,
Tudo o que hoje sou,
É culpa tua...
Tua e da mãe...
Felizmente culpa vossa!!!

APITA ABILIO!!!

António Carvalho (O filho do meio do Apita Abilio)

 




[Linha do Sabor em 1978]

 


0 Maquinista Abílio Carvalho iniciou a sua actividade profissional na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses em 1962 como limpador de carruagens. 
Foi o seu padrinho Lourenço Boinas, à data condutor, que lhe levou a ficha de candidatura e o incentivou a concorrer.
Como para ele o trabalho nas locomotivas era mais desafiante passado pouco tempo passou para servente de material de tracção,
foi fogueiro e chegou ao topo da carreira de maquinista e, como ele refere no vídeo abaixo, 
poderia ter concorrido a inspector, mas por opção própria não o fez... 'Apita Abílio'







 "... Muitas são as memórias de gerações que utilizaram o comboio durante décadas...
emigrantes, residentes nos seus afazeres da vida quotidiana e negócios, militares, estudantes... 
Nesta linha viajaram dos mais humildes aos mais ilustres transmontanos..."
(In 'Ferrovia em Trás-os-Montes' de António Jorge Nunes)"

O Manuel Moreira percorreu quilómetros para fazer registos dessas memórias.

Histórias contadas pelos Amigos
[Cassiano Lopes - Conterrâneo, amigo e colega ferroviário do 'Apita Abílio']


Apita o Comboio

"Versão de Cassiano Lopes"

Apita o comboio
Que apitar tão fino
Abílio Carvalho
A sair do Pocinho

Refrão
Apita o comboio
Lá vai apitar
Vai subindo a serra
Mas não vai parar

Apita o Comboio
Lá vai a apitar
Vai subindo a serra
Em Moncorvo vai parar
Refrão
Apita o comboio
Mas devagarinho
Só vai a parar
Na Estação do Larinho
Refrão
Apita o comboio
Está a chegar ao Carvalhal
Para levar o minério
Para os altos fornos do Seixal
Refrão
Apita o comboio
Carregado e vai parar
A levar as moças
À festa do Felgar
Refrão
Lá vai o comboio
Lá vai apitar
Levar a mocidade
Para a vida militar
Refrão
Apita o comboio
Não vai apitar mais
Vai a dar a despedida
Na estação de Carviçais
Refrão
Lá vai o comboio
Virado para o rio Douro
Vai carregar o trigo
Nos silos de Mogadouro
Refrão
Lá vai o comboio
A chegar a Sendim
Vão todos tirar fotografias
Dos painéis de azulejos
Que não há outros assim
Refrão
Lá vai o comboio
A deitar fumo para o rio Douro
Ficou em Duas Igrejas
Já não foi para Miranda do Douro
Refrão
                                                




 "Apita Abílio"