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[Estação de Mogadouro / Abril 2026]

A antiga estação de Mogadouro permanece esquecida no tempo. 
Entre janelas partidas e portas que não fecham, o vento percorre os corredores vazios, 
trazendo ecos de um passado ferroviário que resiste apenas na imaginação. 
A estação não morreu - transformou-se. É agora um lugar onde o abandono e a vida selvagem coexistem, 
onde o tempo deixou de ter pressa...

[Miranda - Duas Igrejas / Abril 2026]

A estação de Duas Igrejas testemunha hoje o declíneo de uma infraestrutura que outrora 
foi essencial ao desenvolvimento da região, servindo as populações, 
quer na sua mobilidade quer no escoamento dos seus 
produtos agrícolas e no transporte para estes locais de outros bens e 
produtos necessários à comunidade residente.
O edifício conserva ainda os páineis de azulejos da autoria do Gilberto Renda, cujo valor patrimonial e 
qualidade artística são evidentes, mas já com manifestos sinais de degradação.
A vegetação espontânea - silvas e outras ervas daninhas - ocupa o espaço, outrora organizado,
infiltrando-se nas estruturas e acelarando a sua deterioração e ruína. 
Este e outros cenários ao longo da extinta linha do Sabor refletem não apenas 
o abandono físico, mas também a perda de uma memória colectiva 
associada ao caminho de ferro no interior transmontano.
 

[Pocinho na década de 70 - CP E206 / Foto Autor desconhecido]

[Pocinho - Abril 2026]



 

[Estação do Variz / Foto autor desconhecido]


[Fotos Autores desconhecidos]
A estacão do Variz sem 'vida ferroviária' e actualmente ao abandono.

"Tenho a memória completa das viagens que não escrevi,
um vagão sonhador
sulcando
o vento que não vivi

Pendo no sobressalto meus braços
para que agarrados ao vago
possam suster as nuvens
que ainda afago..."

[In 'Alma Tua' texto de Miguel Gomes]

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[Estação do Larinho 1963 - CP E209]

[Estação do Larinho - Abandono / Foto Autor desconhecido]




 

[Fonte da Aldeia / Foto de Luís Raposo]

"In 'O COMBOIO JÁ NÃO PASSA AQUI...'
Uma viagem fotográfica pela abandonada linha do Sabor"
 

[Estação de Duas Igrejas / Foto Autor desconhecido]

"...Após a desativação da Linha do Sabor, a estação de Duas Igrejas, assim como tantas outras situadas ao longo da linha, foi abandonada e caiu em desuso. Apesar do estado de degradação em que muitas das suas infraestruturas se encontram, a estação permanece como um testemunho do papel vital que a ferrovia desempenhou no desenvovimento das áreas rurais do interior de Portugal. A sua arquitectura, embora despojada de elementos monumentais, é emblemática da era de ouro das ferrovias portuguesas, reflectindo a simplicidade, funcionalidade e integração com a paisagem rural que a rodeia. Atualmente ao abandono, o conjunto edificado, representa um ponto de interesse histórico, mas também uma importante fonte de memória colectiva, ao fixar materialmente um tempo em que o caminho de ferro representava o principal meio de ligação entre as comunidades isoladas do Nordeste Transmontano."

[In 'Revista Memória Rural - Texto de António Luis Pereira']
 



... A maioria do património foi votada ao abandono, a REFER vendeu os carris a um sucateiro, 
Manuel Godinho da "face oculta" (processo judicial), que iniciou a remoção pela estação de Duas Igrejas... 
O depósito de água da estação de Carviçais foi salvo da remoção para a sucata, pela intervenção do povo da aldeia, 
que através da Junta de Freguesia  o comprou.
 Todos os carris da linha do Sabor foram removidos no ano de 1999, sem que alguém tivesse travado tal atentado patrimonial, 
ou melhor dito de "roubo de bens públicos" entregues "a troco de nada".

In 'Ferrovia em Trás-os-Montes' de António Jorge Nunes

 

Ponte do Pocinho

[Gazeta CNF 371 de 1Junho1903]

[Gazeta CNF 376 de 16Agosto1903]

... e a ponte foi efectivamente a porta de comunicação para o Nordeste Transmontano


[Fotos de Autores desconhecidos]

Mas quase tudo na vida é feito de ciclos, cada um deles com princípio, meio e fim... 
e a Ponte Rodo-Ferroviária do Pocinho não foi excepção apesar de ser uma bela obra de engenharia do ínicio do século XX.















[Estação de Vilar do Rei / Foto Autor desconhecido]

"Resguardo-me às investidas do esquecimento, ao apodrecer das lembranças que sustêm ainda o último grito do silêncio do meu abandono. 
Abrigo-me nos corpos molhados que procuram o calor de outros corpos, no frio do ferro e na textura de uma teia, que a aranha faz numa tentativa vã de capturar o tempo.
Esqueci já o som da chuva em mim, guardo apenas o sorriso incontido dos olhares ariscos de homens de palmo e meio, perscrutando o ocre do que tenho, para assim verem as estrelas do que fui."

[In 'Alma Tua' de Miguel Gomes]



 

[Estação do Variz - CP E209 / Anos 70]

[CP E209 na Régua - Foto Autor desconhecido]
Loc CP E209 ao abandono na estação da Régua em 2009 e já sem a sua chaminé. Foi a única locomotiva a ser equipada com um ejector inventado em 1951 pelo engenheiro austríaco, Adolph Giesl-Gieslingen, que utilizava uma série de tubos de explosão numa chaminé longa em forma de leque substituíndo assim o único tubo existente no centro das chaminés cilíndricas. Os efeitos esperados seriam uma melhor tiragem, economia de carvão e possível aumento de potência.

A chaminé está 'resguardada' no Museu Ferroviário de Lousado.

... em 2024 a locomotiva estava ao relento em Guifões e 'com avançado processo de decomposição'.

 

 

[Estação de Duas Igrejas-Miranda / Foto Autor desconhecido]

"...Este torreão branco (já com a cor do cimento) desempenhava a função de reservatório de água para abastecimento das locomotivas a vapor. A água era transportada por comboio e depositada neste reservatório. Na sua secção inferior, eram guardadas ferramentas e outros utensílios utilizados nas atividades diárias da estação..."

[In 'Pare, Escute, Olhe–Estação Ferroviária de Duas Igrejas-Miranda' de José Guilherme Fonseca Barata]


 

[Estação do Pocinho - Loc CP E213 / Set2024]

"A Locomotiva... 
Uma inútil caldeira contendo alguns tubulares muito comidos pelo calcário proveniente de milhões de litros de água, que por eles passaram, era, naquele fúnebre recinto, a voz da que outrora fora a austera máquina a vapor... As épocas sucedem-se umas às outras... é por isso mesmo, que aqui, neste vale das coisas esquecidas, já nada sou... é a minha história e a minha vida..."

[In 'Memórias Dum Ferroviário' de Pedro de Freitas]

[Linha do Sabor / Foto Autor desconhecido]

"Foram 100 anos de vida curta para o grande motor que rompeu o isolamento do nordeste no final do século passado. Hoje a interioridade continua e do comboio resta apenas uma imensa saudade."

In 'Património Ferroviário ao abandono em Trás-os-Montes'

O comboio, os carris e as travessas desapareceram, restam apenas alguns edifícios em avançado estado de degradação para testemunhar que a Linha do Sabor existiu.

[Estação de Carviçais - Ago2024]
 


 

[Apeadeiro de Fornos-Sabor - Km 47 / Foto Manuel Moreira - mar/1999]
Inaugurado em 1927 e encerrado em 1988... Já não é proíbido o trânsito pela linha!!!

[Estação de Mogadouro / Foto Autor desconhecido]

"... A inauguração do lanço Lagoaça e Mogadouro decorreu a 1 de Julho de 1930, na extenção de de 23Km, sob a exploração da Companhia Nacional de Caminhos de Ferro. Nem todas as obras estavam concluídas. Por portaria de 13 de Janeiro de 1932, foi aprovado o projeto e orçamento para a construção de um novo cais descoberto no terreno fronteiro ao edifício da estação... no ano de 1933 foram construídas 3 moradias nesta estação para habitação do pessoal..."

[In 'Ferrovia em Trás-os-Montes' de António Jorge Nunes]



... em Outubro de 2010 o Rui Carvalho, filho mais novo do Apita Abílio, registou o estado de abandono e degradação dos referidos edifícios. 

 


 

[Pocinho na década de 70 / Foto autor desconhecido]

"... Lembra Jorge Nunes que, no II Congresso Transmontano (1940), se alertara para o declínio da exploração, sem investimento, nem «modernização da infraestrura e do material circulante». A via estreita encolheu com a insegurança, «carruagens velhas, horários irregulares» para a geral desativação..."

In prefácio de Ernesto Rodrigues no livro 'Ferrovia em Trás-os-Montes memória do passado, luta do presente' do António Jorge Nunes

...e  o que resta em Julho 2025.


[Estação de Carviçais - Agosto 2024]


"...Quem por mim entrou
teve mãos e sorriu,
mas a vida que me pinta
já não me habita,
é alma contida
em sorriso, 
que partiu."

[In 'Alma Tua' texto de Miguel Gomes]



 



 

[Carviçais - Locomotiva Alsthom 9006 / Foto de Armindo Ferreira]

Em Abril de 1988 a Alsthom 9006, conduzida pelo maquinista Abílio Carvalho, descarrilou próximo da Estação de Carviçais, num local conhecido por 'carrascos do Pinto',  devido à falta de manutenção da linha.
Os registos das imagens foram feitos pelo Armindo Ferreira, também ele ferroviário e fez parte da equipa de socorro que se deslocou ao local.

[Foto de Armindo Ferreira]

"Esta locomotiva, da série 9000, fazia parte de um grupo de seis locomotivas diesel-eléctricas usadas (FT-1022 a FT-1027), da marca Alsthom, construídas em 1959 e foram compradas pela CP na década de 70 à empresa que geria o caminho de ferro de Tajuña, perto de Madrid... Chegaram a Portugal pintadas de azul e branco mas foram re-decoradas e pintadas de laranja escuro com riscas brancas diagonais na frente, castanho na cabine e o logotipo da CP em preto nos flancos. Foram renumeradas com os números 9001 a 9006"

 

 

[Apeadeiro da Fonte do Prado na década de 70 / Foto - arquivo pessoal do maquinista Abílio Carvalho - 'Apita Abílio']

0 Manuel Moreira passou e registou as imagem abaixo, após o encerramento da linha,  já com evidentes sinais de abandono mas ainda com carris...



Em Dezembro 2024  já não existe qualquer vestígio  do Apeadeiro da Fonte do Prado, 
mantêm-se as velhinhas árvores e um caminho cheio de erva, denominado ecopista, 
ladeado por muros de pedras.