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Uma viagem pelo curriculum profissional do saudoso 'Apita Abílio' no dia em que se completavam as suas 89 primaveras que, supostamente, estarão a ser festejadas ao som da vibração das cordas de uma guitarra.

    • 13.04.1962 - admitido com servente de 3ªclasse na Divisão de Material e Tração no  Depósito da Régua - Pocinho;
    • 01.07.1966 - promovido a servente de 2ª classe;
    • 01.10.1966 - transferido para Contumil;
    • 01.07.1967  - nomeado fogueiro de 2ª classe, depois de aprovado em exame
    • 01.06.1968 - transferido para o Pocinho;
    • 01.07.1970 - promovido a fogueiro de 1ª classe;
    • 01.11.1970 - promovido a maquinista de 3ª classe;
    • 01.04.1972 - promovido a maquinista de 1ª classe;
    • 01.07.1977 - promovido a maquinista técnico;
    • 01.05.1979 - promovido a maquinista principal;
    • 01.08.1985 - regressa ao posto de Tração de Contumil mas continuou em funções na linha do Sabor e no troço da linha do Douro Barca d'Alva-Pocinho até ao encerramento das mesmas (1.08.1988 e 18.10.1988 respectivamente), onde permaneceu até à data da reforma 07.04.1993.

[Responsabilidades do maquinista e do fogueiro na guarda e preservação 
das ferramentas e utensílios das locomotivas]



"As ferramentas perdidas serão pagas 2/3 partes do seu valor pelo maquinista e 1/3 parte pelo respectivo fogueiro, conforme os preços indicados neste livro..."


 

 Boletim da CP N° 463 de Janeiro de 1968



[Estão sinalizados a amarelo os trabalhadores da linha do Sabor que eu identifiquei]



 


[Carta de Condução de Unidades Motoras do Maquinista Abílio César Carvalho emitida em 25/AGO/1971]

 "A presente carta deverá ser apresentada a qualquer agente superior que a solicite e só é válida dentro do prazo fixado pela última inspeção dos Serviços Médicos"

Unidades motoras que o portador está habilitado a conduzir:
Locomotivas
  • A Vapor
  • Diesel, séries 1400 e 1800 (Eng. Elect.) 
  • Diesel ALSTHOM VE 

Automotoras

  • Séries My 300 e MEy 300 (Allan)
  • Diesel, série MYFC 400 e 600 (UDD)
  • Gasolina, séries M 01, M 1, ME 1, ME 21 e MF

Locotractores

  • Série 1000 (Drewry)
  • Série 1050 (Moyses)
  • Série 1150 (Sentinel)
  • Diesel, séries 1550...

Este documento fez parte integrante da carteira dos documentos de identificação do saudoso Apita Abílio até aos seus últimos anos de vida... 
Descobri a dita carteira no primeiro dia do ano 2026 e apesar do seu avançado estado de degradação, partilho-a com carinho.
 




[Bilhete utilizado dia 10(?!) de Junho de1970 na Linha do Sabor]

O bilhete

"... São fragmentos que traduzem vida... um rectângulo de papelão. É numerado, tem dizeres impressos e apresenta-se com variadíssimos pequeninos furos; é de aspecto irrequieto e ladino - é o bilhete!

...Oriundo da fábrica de bilhetes... passa pela guilhotina e pelas talas, onde geme a formidáveis apertos. Depois - agradável mudança de cenário! - mãos femininas registam-no... 

«Da repartição... sou enviado à estação, devidamente contado, emaçado e controlado. O bilheteiro encaixa-me em recipiente adaptado e ali fico esperando o passageiro, que não pode meter-se no combóio sem a minha prévia aquisição. Por isso eu sou ambicionado por todo o público!»

[Foto de Eduardo Augusto Oliveira]

«Do cacifo da estação sou tirado para mãos que me libertam da prisão e guardam-me como objecto de muito apreço, logo sinto-me possuído de muito contentamento. 


Mas é efémera toda essa satisfação! Empregados de maus fígados, empunhando tenazes, impiedosamente, matam-me com muitíssimos tiros que me furam assim que o passageiro me exibe como documento de passagem..."


O bilhete... nasce e forma-se para a vida comercial ferroviária, apenas no valor activo de uma viagem, que tanto é de alguns minutos como de algumas horas..."

[In 'Memórias Dum Ferroviário' de Pedro de Freitas]

 

[Curso de formação para maquinista em 1970 no Entroncamento - Foto do Baú de Abílio Carvalho]

Maquinista Abílio Carvalho - 5º a contar da direita e o 8° é o Maquinista Tomé Real Lopes (informação do Valdemar Pereira, filho de Floriano Rodrigues Pereira da lista das nomeações). Se identificarem outros maquinistas que constem das nomeações e promoções 'A MAQUINISTAS DE 3ª CLASSE' publicadas no boletim da CP em Janeiro de 1971 e enviarem para o e-mail de contacto, partilharei com enorme prazer.






 

[Estação de Mogadouro - CP E206]

[Esquema das Mallets E201 a E216 - partilhado por Joaquim Pinto Mendes]




 

 [Marcha n° 66604 - Duas Igrejas-Pocinho em 22/12/1978]
No documenta consta:
Indicação da velocidade máxima autorizada para a viagem 35Km/h (T35)
Horários de chegada e partida por estação
Indicação de cruzamentos em Bruçó com o comboio 6625 e no Carvalhal com o 6627
Carimbo da Estação de Duas Igrejas e assinatura do Chefe da Estação.

[Carta geográfica das comunicações de Trás-os-Montes/ Gazeta CNF 1290 de 16Set1941]

 [O meu último passe de estudante na linha do Sabor]

... eis o motivo da minha paixão pelos comboios e em especial pelos comboios da Linha do Sabor.

 

[CP E203 - Pocinho / Foto autor desconhecido]

"AS MALLET"

Em finais do Séc XIX... toda a zona Norte e Nordeste Transmontano avança em passadas largas para o desenvolvimento com assentamento das novas vias: Linha do Tua, Linha do Corgo, Linha do Tâmega e a Linha do Sabor... Estas vias apresentavam características muito próprias das zonas montanhosas, traçados deveras tormentosos, apresentando fortes inclinações e curvas com raio, algumas vezes inferior a 100 metros...
...a Companhia dos Caminhos de Ferro do Minho e Douro, para facilitar e rentabilizar a exploração  comercial e do transporte de passageiros adquire à fábrica Henschel & Sohn locomotivas articuladas sistema 'Mallet', com a numeração original  de M.D. 451  a M.D. 466.
Com a anexação da Companhia dos Caminhos de Ferro do Minho e Douro pela Companhia dos Caminhos Ferro de Portugal, C.P., as locomotivas foram renumeradas:


[In "Bastão-Piloto N° 113/114" de 1990]








 


0 Maquinista Abílio Carvalho iniciou a sua actividade profissional na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses em 1962 como limpador de carruagens. 
Foi o seu padrinho Lourenço Boinas, à data condutor, que lhe levou a ficha de candidatura e o incentivou a concorrer.
Como para ele o trabalho nas locomotivas era mais desafiante passado pouco tempo passou para servente de material de tracção,
foi fogueiro e chegou ao topo da carreira de maquinista e, como ele refere no vídeo abaixo, 
poderia ter concorrido a inspector, mas por opção própria não o fez... 'Apita Abílio'






[Estação de Bruçó / Foto Werner Hardmeier]

Há 45 anos, exatamente no dia 21 Julho de 1979, esta ME iniciou viagem em Duas Igrejas com o vidro de uma janela da frente partido...  
O Chefe da Estação fez o respectivo registo da ocorrência e entregou-o ao Maquinista Abílio Carvalho, 
que, após os procedimentos necessários à substituição do vidro, o arquivou no 'Baú Apita Abílio'.




 


No baú das memórias do 'Apita Abílio'  consta esta escala de serviço dos maquinistas afetos ao Posto de Tracção do Pocinho para a semana que iniciava a 07 Out 1979.

Saliento a 'NOTA IMPORTANTE' relativamente aos procedimentos em caso de avaria das locomotivas e as funções do Auxiliar, que não resisti a transcrever: 'Acender e apagar Locomotiva, seu abastecimento, descargas de carvão, limpeza do Posto e Dormitório e sua vigilância.'

O nome dos Agentes (maquinistas) foi escrito com a linda caligrafia do saudoso Abílio Carvalho - 'Apita Abílio'

[Foto de Edite Vaz]

 Hoje, 15Jul2024, a filha mais velha e filho mais novo do Apita Abílio, abriram o baú...

 


[Passe do maquinista Abílio Carvalho do quadriénio 1974/1978, 
com as autorizações especiais, saliento 'Trânsito a pé na linha', e também as restrições 
na utilização de comboios rápidos, internacionais e lugares de luxo]