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[Foto - Arquivo pessoal do Maquinista Abílio Carvalho, à esquerda - 'Apita Abílio']

"... A maneira como alguns maquinistas fazem silvar os apitos das máquinas que pilotam, caracteriza, por vezes, a sua nacionalidade, e o maquinista português consegue num silvo prolongado, permitindo uma maior ou menor entrada de vapor, dar-lhe várias entoações que, em certos casos, chegam mesmo a ser como que uma sua assinatura que o distingue dos seus colegas..."
[In 'Gazeta CF Nº 1671']

O maquinista Abílio Carvalho também deixou a sua a assinatura nas entoações que imprimia ao silvo prolongado da locomotiva... 'Apita Abílio'..., a sua memória ficará como o eco de uma era e de um século que passaram... 'Apita Abílio'



[Estação do Pocinho - CPE201 / Foto autor desconhecido]

"... antigamente, a azáfama desta estação, ocupava um razoável número de trabalhadores: 
oficinas, manutenção, Linha do Douro, Linha do Sabor..."

 

[Estação de Mogadouro - CP E201 / Foto Autor desconhecido]

Na estação de Mogadouro, no ínício de 1970, foram construídos Silos para recolha e armazenamento de cereais. A construção de silos em betão armado, como estrutura industrial para armazenamento e conservação de cereais, teve ínicio nos anos de 1900... Agumas estações dispunham de armazéns construídos pela Federação Naciona de Produtores de Trigo (FNPT) que eram  infraestruturas de apoio à campanha de produção de cereais e,  para além de dinamizarem a agricultura do planalto mirandês, garantiam o escoamento da produção para o mercado.
Antes de o comboio chegar a Mogadouro o trigo era levado à estação de Carviçais em carros de bois, ou então vendia-se a negociantes que compravam o cereal diretamente ao lavrador.

[In 'Ferrovia em Trás-os-Montes-Memórias do passado, luta do presente' de António Jorge Nunes]
 


[Estação do Pocinho em 1974 / Foto Autor desconhecido]

Ano de 1974, a estação do Pocinho em plena actividade com comboios de passageiros para o Porto e Barca d'Alva, este com a locomotiva CP 1429. A CP E201 também já está pronta para traccionar o comboio de passageiros pela linha do Sabor até Duas Igrejas.

 

 O amigo e colega ferroviário Maximino na locomotiva CP E201


[Estação do Pocinho-CP E201 / Foto Autor desconhecido]
 

[Linha do Sabor - CP E201 / Foto Autor desconhecido]

"... A luz, coada pela neblina da madrugada, escorrega pelas encostas do vale e vai avivando as arestas das penedias circundantes. O  maquinista do comboio, sem sair dos carris, não perde o céu de vista. É lá, nas asas dos pássaros sem nome, que se sente um homem livre, capaz de abraçar toda a luz que o rodeia...."

In 'Pare, Escute, Olhe' texto de Jorge Laiginhas
 


[Carvalhal - Larinho, CP E201 / Foto Autor desconhecido]

"...Buscando no fundo da memória (digamos, aí por meados da década de quarenta),  o comboio da Linha do Sabor era ainda um  sinal de progresso... Durante muitos anos continuou a desempenhar cabalmente a sua missão, como se o tempo não passasse. A verdade é que o tempo passou, o tempo passa sempre e depressa, e nos anos sessenta começou a perder terreno a favor da indústria da camionagem..."

[In 'Flores Amarelas para o Comboio' de Afonso Praça]


 



[Estação de Bruçó 1979 - CP E201]


[Foto autor desconhecido]

"Ano de 1979. Verão quente, pleno mês de Agosto... a desconfiança quase certa do assassinato da Linha do Sabor... 
Por terras de Bruçó...o povo, mesmo andando nos seus afazeres, terra de lavoura de sol a sol, vai-se preparando, fazendo o ajuntamento ao final do dia. 
... prevendo-se um cruzamento de comboios, vapor e automotora, depois de suas entradas, vários carris são levantados, outros acorrentados, evitando já a saída dos ditos comboios da estação...
O povo tomou de assalto a estação..."

[In 'Contos que a vida contou' de António Feijó]

 

 

[Foto - arquivo pessoal do maquinista Abílio Carvalho]
Hoje, dia 18 de Dezembro, lembramos com saudade o início da carreira profissional de maquinista de que tanto te orgulhavas e te brindou para a história com o famoso nome 'Apita Abílio'. 


[Estação de Moncorvo - CP E201 / Foto Autor desconhecido]

"... Em 16.XI.1935 uma portaria declara sobrante uma parcela de terreno com área de 360 m2, dentro do recinto da Estação de Torre de Moncorvo, entre os Km 12,25180 e 12,28780 destinada à construção de um celeiro para a Federação Nacional dos Produtores de Trigo (F.N.P.T.) (DG 1935c)."

[In 'A Linha do Vale do Sabor' - Coordenação de Carlos d' Abreu]
 

 

[O Maquinista Abílio Carvalho (à esquerda), o colega e amigo Luís Pereira, à data fogueiro, 
mas que também terminou a sua atividade profissional como maquinista e a locomotiva é a CP E201] 
[Foto de Ago de 1972 - arquivo pessoal 'Apita Abílio']

Na introdução ao Guia do Maquinista e do Fogueiro de Locomotivas, que o Joaquim Pinto Mendes teve a amabilidade de partilhar, lê-se:

"...Para conduzir uma locomotiva dois homens vão sobre ela, constantemente ocupados e vigilantes. Um deles, desenvolvendo um trabalho fatigante para produzir o fogo criador que nas entranhas de aço da máquina se transforma na potência mecânica; o outro, regulando a marcha do comboio, sempre atento a tudo que se passa na locomotiva e na via, e tendo na mão centenas de vidas confiadas á sua destreza, ao seu sangue frio e ao seu sentimento do dever. 
Conduzindo a locomotiva, o maquinista e o fogueiro devem sentir-se orgulhosos da sua profissão. Só o amor que cada um dedica á sua profissão pode dar encanto ao trabalho quotidiano, só ele faz com que se tornem menos penosas as dificuldades, as fadigas, os aborrecimentos a que ninguém se pode subtrair, só ele dá á vida todo o seu valor. Aqueles que consideram o trabalho como uma dolorosa pena que a necessidade lhes impõe, são uns desgraçados, que vivem num pesado e doloroso aborrecimento, e sentem enfraquecer as suas forças físicas e morais..."

Porto—Maio de 1915.
O ENGENHEIRO CHEFE DE TRACÇÃO E OFICINAS
José Vítor Duro Sequeira

[CP E201 e parte da sua 'história' / Foto Autor desconhecido]
A numeração original desta locomotiva era M.D. 451. Foi adquirida à fábrica Henschel & Sohn em 1911 pela Companhia dos Caminhos de Ferro Minho e Douro. Foi renumerada para CP E201 na sequência da integração desta Companhia na Companhia dos Caminhos de Ferro de Portugal, C.P. em 1947.

[Esquema da MD 451 / CP E201 gentilmente cedido por Joaquim Pinto Mendes]



Todas as locomotivas tinham um livro de registo onde eram inventariadas as ferramentas da máquina que, após verificação e controlo, deveria ser feita a validação das mesmas pelo Chefe de Depósito e pelo Maquinista responsável da locomotiva. O Joaquim Pinto Mendes, que também foi Maquinista e terminou a sua carreira profissional como Inspector de Tracção, guardou as imagens do livro da E201.
Saliento o AVISO que constava nas primeiras páginas e que responsabilizava e indicava a fórmula de cálculo dos valores a pagar pelo Maquinista e pelo Fogueiro no caso de um eventual desaparecimento das ferramentas.






... e o Joaquim Pinto Mendes também guardou o histórico das reparações da E201, e listou no seguinte quadro


... esta, é parte da história de uma locomotiva que, depois de percorrer milhares e milhares de km's transportando pessoas e mercadorias, nas vias de bitola métrica, foi adquirida e recuperada pela Câmara Municipal de Valongo e jaz junto à Estação de Ermesinde em homenagem aos ferroviários da zona.









 

 

[Estação de Moncorvo - CP E201 / Julho 1972]

"... era tal a braveza do sol e a secura dos montes e do plantio, que dava a impressão de que a qualquer momento poderia rebentar um incêndio... 
Em Moncorvo, com carregos e descarregos, a paragem também foi longa. Depois, quando já tudo parecia pronto, desengataram a máquina
que para surpresa geral partiu sem nós, mas retornou por outra linha e foi parar junto do reservatório para meter água... 
A subida puxava, mas do Pocinho até ali eram só doze quilómetros... Entretanto a máquina fora de novo engatada  e retomamos a marcha, lentamente..."

[In 'Ernestina' de J. Rentes de Carvalho]

[Estação do Pocinho - E54 e a E201- Foto de Werner Hardmeier em Julho 74]

...e o Amigo e colega ferroviário  Maximino

... a E 54 adquirida para a linha do Dão onde começou a circular em 1890 com o nome "Dão", foi destacada para a linha do Sabor na década de 1950 e rebatizada de "Micas". Depois de milhares de Kms está exposta na Quinta do Santoinho, Darque, Viana do Castelo e é um atrativo histórico dos seus visitantes.

[Foto de Edgar Afonso]

 

[Estação do Pocinho - Oficinas]

Após a construção do primeiro troço da linha do Sabor (Pocinho-Carviçais), foram instalados no Pocinho um depósito de locomotivas e importantes oficinas ferroviárias, que davam apoio ao material de tração que passou a operar nesta linha. Nestas oficinas existiu um maquinismo com gramalheira e manivela, "macaco" , que levantava uma locomotiva. As oficinas e o depósito de locomotivas encerraram com a linha do Sabor.
 

 

[Carvalhal - Anos 70 / Foto autor desconhecido]

 

[Foto - Arquivo pessoal do maquinista Abílio Carvalho, ao centro na foto - 'Apita Abílio']
[A E206 continua a apitar na Suiça, foi vendida para a companhia ferroviária suíça Dampfbahn-Verein Zürcher Oberland (DVZO), 
foi restaurada e adaptada para operar em serviços turísticos e históricos. Atualmente está a operar com a organização Train à vapeur des Franches-Montagnes, 
que é uma associação dedicada à preservação e operação de combóios históricos na região de Franches-Montagnes.
[A E201 está junto à Estação de Ermesinde prestando tributo aos trabalhadores ferroviários, em especial aos residentes nesta cidade.]
[Foto de Edite Vaz /Jun 2024]

[Foto de Edite Vaz /Jun 2024]