[Estação de Bruçó / Foto Autor desconhecido]
Antero Neto é natural da freguesia de Bruçó, concelho de Mogadouro, advogado e também escritor. Tem-se dedicado à investigação nos domínios histórico, antropológico e etnográfico desta zona do Nordeste Transmontano e tem já vasta obra publicada nesses campos do conhecimento.
No seu livro "Bruçó - Da Pré-História ao 25 de Abril", escreve:
"... Ainda a propósito da emigração de Bruçó para o Brasil, deixam-se aqui dois apontamentos curiosos: antes de partir, havia o costume na aldeia de os emigrantes se despedirem casa a casa, pessoa a pessoa, pois a expectativa de regresso era baixa, atendendo à distância e à morosidade e dificuldade da viagem. Numa pequena notícia do jornal 'República', de 1912, que versava sobre a edificação do caminho de ferro ..., salientava-se a importância da sua construção para facilitar a vida aos candidatos à emigração, que nesta zona eram muitos. De facto, a jornada entre Bruçó e o Porto, antes da existência desta importante infraestrutura não devia ser nada cómoda. Segundo relata Serafim Afonso, já na era do comboio, os que ficavam deslocavam-se em massa à estação para comoventes despedidas, sendo, por vezes, forçados a pagar para poderem entrar até ao cais de embarque, numa prática desumana por parte da CP..."
[NETO, Antero, in "Bruçó - Da Pré-história ao 25 de Abril", Lema d'Origem - Editora, 2021, pág. 215]