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[Estação de Carviçais - O maquinista António Augusto Caldeira e o Chefe da Estação ou o Condutor (?) a fazerem uma  ligação directa ao cabo da rede telefónica para poderem comunicar com a estação seguinte] 

[Fotos gentilmente cedidas pelo neto do maquinista António Augusto Caldeira, Luís Vieira]

A exploração ferroviária assentava já num sistema de comunicações por fio suportado em postes paralelos à linha férrea ligando as estações ponto a ponto. No interior das estações encontravam-se os aparelhos telegráficos e/ou telefones de parede, operados pelo chefe de estação. Esta rede era essencial para a coordenação da circulação em via única, permitindo a transmissão de ordens de marcha, avisos de segurança, …

Esta infraestrutura de comunicações também estava sujeita a avarias provocadas pelas condições climatéricas, interferência de árvores ou animais e desgaste ou problemas de alimentação no equipamento, … que muitas vezes eram resolvidas localmente pelo pessoal de exploração e da manutenção.


 Boletim da CP N° 463 de Janeiro de 1968



[Estão sinalizados a amarelo os trabalhadores da linha do Sabor que eu identifiquei]


[Linha do Sabor - CP E206]

 

 O amigo e colega ferroviário Maximino na locomotiva CP E201

[Estação de Carviçais - Loc. CP E215 em Jun 1985] 

À data circulavam apenas os comboios de mercadorias e, na foto,  já está bem evidente o estado de degradação da via.  O maquinista, primeiro da esquerda, era o Sebastião Elias... Também ele fez a maior parte da sua carreira profissional ao serviço da Linha do Sabor. Apanhei a sua promoção a Fogueiro de 1ª Classe no Boletim da CP Nº 404 de Fevereiro de 1963 e a promoção a Maquinista de 1ª Classe no Boletim da CP Nº 517 de Julho de 1972.








 

 

[O Maquinista Abílio Carvalho (à esquerda), o colega e amigo Luís Pereira, à data fogueiro, 
mas que também terminou a sua atividade profissional como maquinista e a locomotiva é a CP E201] 
[Foto de Ago de 1972 - arquivo pessoal 'Apita Abílio']

Na introdução ao Guia do Maquinista e do Fogueiro de Locomotivas, que o Joaquim Pinto Mendes teve a amabilidade de partilhar, lê-se:

"...Para conduzir uma locomotiva dois homens vão sobre ela, constantemente ocupados e vigilantes. Um deles, desenvolvendo um trabalho fatigante para produzir o fogo criador que nas entranhas de aço da máquina se transforma na potência mecânica; o outro, regulando a marcha do comboio, sempre atento a tudo que se passa na locomotiva e na via, e tendo na mão centenas de vidas confiadas á sua destreza, ao seu sangue frio e ao seu sentimento do dever. 
Conduzindo a locomotiva, o maquinista e o fogueiro devem sentir-se orgulhosos da sua profissão. Só o amor que cada um dedica á sua profissão pode dar encanto ao trabalho quotidiano, só ele faz com que se tornem menos penosas as dificuldades, as fadigas, os aborrecimentos a que ninguém se pode subtrair, só ele dá á vida todo o seu valor. Aqueles que consideram o trabalho como uma dolorosa pena que a necessidade lhes impõe, são uns desgraçados, que vivem num pesado e doloroso aborrecimento, e sentem enfraquecer as suas forças físicas e morais..."

Porto—Maio de 1915.
O ENGENHEIRO CHEFE DE TRACÇÃO E OFICINAS
José Vítor Duro Sequeira


 "... Muitas são as memórias de gerações que utilizaram o comboio durante décadas...
emigrantes, residentes nos seus afazeres da vida quotidiana e negócios, militares, estudantes... 
Nesta linha viajaram dos mais humildes aos mais ilustres transmontanos..."
(In 'Ferrovia em Trás-os-Montes' de António Jorge Nunes)"

O Manuel Moreira percorreu quilómetros para fazer registos dessas memórias.

 

Aarão Augusto Feijó, Chefe da Estação de Carviçais no período de 1953 a 1957, 
deixou-nos este belo registo fotográfico da época.  
A foto foi gentilmente cedida pela filha São Feijó com o seguinte poema:

'O comboio na aldeia de Carviçais'

"Que saudade da felicidade
Que o comboio transmitia
Quando na aldeia passava
E o simpático maquinista
Com muita alegria apitava...
Pela Linha do Sabor
No comboio a vapor
Vinham de todos os lados
Os corações cheios de amor
E quantos abraços apertados!
Nesse tempo nada era complicado
Aceitava-se a dificuldade
Com alguma docilidade
E a vida de tão simples
Nos transmitia serenidade.
O comboio, ao passar,
Era motivo relevante
Para o povo acenar
A todo o viajante.
Podia ser desconhecido
Mas com emoção recebido
No olhar fascinante
De quem ficava a contemplar
Apenas por um instante
Alguém que nos fazia sonhar...
Hoje já comboio não há
Mas quando fizeres um roteiro
Não esqueças esta aldeia,
Podes  correr o mundo inteiro
Nada te deixa a alma tão cheia!"

[ A Amiga e conterrânea São Feijó]

[Estação do Pocinho - E54 e a E201- Foto de Werner Hardmeier em Julho 74]

...e o Amigo e colega ferroviário  Maximino

... a E 54 adquirida para a linha do Dão onde começou a circular em 1890 com o nome "Dão", foi destacada para a linha do Sabor na década de 1950 e rebatizada de "Micas". Depois de milhares de Kms está exposta na Quinta do Santoinho, Darque, Viana do Castelo e é um atrativo histórico dos seus visitantes.

[Foto de Edgar Afonso]

 

 

[Estação de Carviçais - E204 / Foto de Werner Hardmeier - Anos 70]

Na foto o amigo e colega Albertino Inteiro, também ele, um Profissional de Excelência. 






[A E206 acabou de chegar a Duas Igrejas e o maquinista, na foto, era Sebastião Elias]



[Após décadas a percorrer km's... o abandono da E206 na estação  da Régua, a primeira na foto]

...mas, por vezes, ainda há histórias com finais felizes e,

A E206 em Pré-Petijean Suíça em 2019
[Franches-Montagnes]

[Video da autoria de Valdemar Rodrigues Pereira e gentilmente cedido pelo próprio]




Histórias contadas pelos Amigos
[Cassiano Lopes - Conterrâneo, amigo e colega ferroviário do 'Apita Abílio']


Apita o Comboio

"Versão de Cassiano Lopes"

Apita o comboio
Que apitar tão fino
Abílio Carvalho
A sair do Pocinho

Refrão
Apita o comboio
Lá vai apitar
Vai subindo a serra
Mas não vai parar

Apita o Comboio
Lá vai a apitar
Vai subindo a serra
Em Moncorvo vai parar
Refrão
Apita o comboio
Mas devagarinho
Só vai a parar
Na Estação do Larinho
Refrão
Apita o comboio
Está a chegar ao Carvalhal
Para levar o minério
Para os altos fornos do Seixal
Refrão
Apita o comboio
Carregado e vai parar
A levar as moças
À festa do Felgar
Refrão
Lá vai o comboio
Lá vai apitar
Levar a mocidade
Para a vida militar
Refrão
Apita o comboio
Não vai apitar mais
Vai a dar a despedida
Na estação de Carviçais
Refrão
Lá vai o comboio
Virado para o rio Douro
Vai carregar o trigo
Nos silos de Mogadouro
Refrão
Lá vai o comboio
A chegar a Sendim
Vão todos tirar fotografias
Dos painéis de azulejos
Que não há outros assim
Refrão
Lá vai o comboio
A deitar fumo para o rio Douro
Ficou em Duas Igrejas
Já não foi para Miranda do Douro
Refrão
                                                



 

[Foto - Arquivo pessoal do maquinista Abílio Carvalho, ao centro na foto - 'Apita Abílio']
[A E206 continua a apitar na Suiça, foi vendida para a companhia ferroviária suíça Dampfbahn-Verein Zürcher Oberland (DVZO), 
foi restaurada e adaptada para operar em serviços turísticos e históricos. Atualmente está a operar com a organização Train à vapeur des Franches-Montagnes, 
que é uma associação dedicada à preservação e operação de combóios históricos na região de Franches-Montagnes.
[A E201 está junto à Estação de Ermesinde prestando tributo aos trabalhadores ferroviários, em especial aos residentes nesta cidade.]
[Foto de Edite Vaz /Jun 2024]

[Foto de Edite Vaz /Jun 2024]