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[Estação do Pocinho, CP E41 na década de 70 / Foto autor desconhecido]



 



[Estação do Pocinho - CP E41 - Anos 70 / Foto de Tony Bowles]
Na entrada da locomotiva o saudoso maquinista Abílio Carvalho, o eterno 'Apita Abílio'.

O maquinista

"... Na parte final da hierarquia das locomotivas, está colocado o maquinista. Este é o verdadeiro intérprete das marchas dos combóios. Sem a sua formatura no conhecimento da ciências das máquinas a vapor, não seria possível o progresso das grandes velocidades... São os rígidos regulamentos de sinalização, o conhecimento prático do caminho a percorrer,  a constante preocupação das marchas certas e o mais possível económicas, os cuidados da segurança dos combóios e, sobretudo, a tremenda responsabilidade das vidas que se lhe entregam confiadamente.
No maquinista estão os olhos, o cérebro e o guia da locomotiva... As observações rigorosas nas marchas a efectuar, os obstáculos a prever ou a remediar, as insónias exigidas pelos deveres do seu ofício, a chefia disciplinada e disciplinadora a exercer no todo da vida das locomotivas e, como agente a quem não se tolera a mínima distração, ele é o primeiro funcionário ferroviário que enfrenta as maiores responsabilidades na condução das vidas alheias. As noites tempestuosas, o frio, o calor, as desoras de toda uma vida, a incerteza e a intranquilidade, são apanágios do labor ferroviário que a ele mais afetam... ele passa desapercebido... não é mais do que um indivíduo a confundir-se no carvão negro e nos óleos, que sujam e enodoam todas as gangas do seu uniforme..."

[In 'Memórias Dum Ferroviário' de Pedro de Freitas]



 

[Estação do Pocinho - CP E41 e ME4 (década de 70) / Foto autor desconhecido]

A locomotiva CP E41 foi  construída em 1904 pela fabricante alemã Hohenzollern. Inicialmente foi utilizada nas obras de construção da Linha do Corgo. Após 1947, passou a desempenhar funções de manobras na estação do Pocinho.  Atualmente, encontra-se preservada no Museu Ferroviário de Chaves.