[In 'Gazeta dos Caminhos de Ferro Nº 1131' de 1 de Fevereiro de 1935]
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"...Surge um comboio... Apressa-se para o local imaginário onde parará aquela máquina arfante de ferro forjado fumegante. O silvo característico dos rodados nos carris, um solavanco final, como o suspiro cansado de quem se sabe parar, mas não descansar...
Vai percorrendo a linha..."
[In 'Alma Tua' de Miguel Gomes]
[Estação de Vilar do Rei / Foto Autor desconhecido]
"Resguardo-me às investidas do esquecimento, ao apodrecer das lembranças que sustêm ainda o último grito do silêncio do meu abandono.
Abrigo-me nos corpos molhados que procuram o calor de outros corpos, no frio do ferro e na textura de uma teia, que a aranha faz numa tentativa vã de capturar o tempo.
Esqueci já o som da chuva em mim, guardo apenas o sorriso incontido dos olhares ariscos de homens de palmo e meio, perscrutando o ocre do que tenho, para assim verem as estrelas do que fui."
[In 'Alma Tua' de Miguel Gomes]
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