[Linha do Sabor / Foto Autor desconhecido]
Caminho de Ferro na literatura portuguesa
Bulhão Pato, não entusiasta dos comboios, escreveu em carta a Alexandre Herculano:
"A poesia respira-se no ar, como a fragância das flores; e a atmosfera dos nossos dias, obscurecida pelo fumo das máquinas a vapor, rouba aos olhos as suaves e encantadoras perspectivas da natureza..."
Alexandre Herculano responde:
"Não, a máquina a vapor é um dom do céu, um instrumento de progresso legítimo, uma fonte de cómodos e gozos para o género humano, como o foram o arado, o navio, a imprensa, para os homens que os viram nascer.
A máquina a vapor leva o agasalho e conforto, a limpeza, a saúde, às choupanas do povo, onde, sem ela, só habitaria por séculos a miséria extrema, com todas as suas dores e agonias..."
[In 'Cem Anos de Caminho de Ferro na Literatura Portuguesa' compilação do Eng Frederico de Quadros Abragão]