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[Linha do Sabor - Carvalhal / Foto Autor desconhecido]

A gazeta dos Caminhos de Ferro Nº 413 de 1905 publicava o seguinte artigo:




 

[Miranda - Duas Igrejas / Abril 2026]

A estação de Duas Igrejas testemunha hoje o declíneo de uma infraestrutura que outrora 
foi essencial ao desenvolvimento da região, servindo as populações, 
quer na sua mobilidade quer no escoamento dos seus 
produtos agrícolas e no transporte para estes locais de outros bens e 
produtos necessários à comunidade residente.
O edifício conserva ainda os páineis de azulejos da autoria do Gilberto Renda, cujo valor patrimonial e 
qualidade artística são evidentes, mas já com manifestos sinais de degradação.
A vegetação espontânea - silvas e outras ervas daninhas - ocupa o espaço, outrora organizado,
infiltrando-se nas estruturas e acelarando a sua deterioração e ruína. 
Este e outros cenários ao longo da extinta linha do Sabor refletem não apenas 
o abandono físico, mas também a perda de uma memória colectiva 
associada ao caminho de ferro no interior transmontano.
 

[Pocinho-CP E209 / Foto autor desconhecido]

Um artigo da Gazeta CF Nº 1928 de 16Ago1968, com o título 'As ligações ferroviárias com a Espanha e a França e a exploração dos ramais do Norte', dizia:

"...Presentemente, a C. P. estuda a modificação da exploração de alguns ramais ferroviários, nomeadamente a linha do Corgo, do Tâmega e do Sabor - exploração que se está a fazer em condições deficitárias, embora sirva muitas aldeias populosas. Fala-se, mesmo, em suprimir alguns desses ramais, o que representaria grave prejuízo para a economia daquelas regiões nortenhas...
A C. P. tem nos seus projectos servir regiões através da camionagem, estabelecendo ligações por estrada, entre estações de caminho de ferro e diversas localidades..."



 

[Foto - Arquivo pessoal do Maquinista Abílio Carvalho, à esquerda - 'Apita Abílio']

"... A maneira como alguns maquinistas fazem silvar os apitos das máquinas que pilotam, caracteriza, por vezes, a sua nacionalidade, e o maquinista português consegue num silvo prolongado, permitindo uma maior ou menor entrada de vapor, dar-lhe várias entoações que, em certos casos, chegam mesmo a ser como que uma sua assinatura que o distingue dos seus colegas..."
[In 'Gazeta CF Nº 1671']

O maquinista Abílio Carvalho também deixou a sua a assinatura nas entoações que imprimia ao silvo prolongado da locomotiva... 'Apita Abílio'..., a sua memória ficará como o eco de uma era e de um século que passaram... 'Apita Abílio'



[Linha do Sabor / Rampa Pocinho - Moncorvo / Foto Autor desconhecido]

[In 'Gazeta CF Nº 1480' de 1949]


[Linha do Sabor / Foto Autor desconhecido]

"...Tinhamos a Linha do Sabor, espécie de cordão umbilical que nos ligava ao mundo - pelo menos, 
com a Linha do Douro ligava-nos ao Porto - mas demorou de 1911 a 1938 
para que chegasse a Duas Igrejas (Miranda)..."

[In 'Trás-os-Montes, o Nordeste' de J Rentes de Carvalho]
 

[Linha do Sabor  / Macieirinha-Carviçais / Anos 70]

[In 'Gazeta CF Nº1387- Caminhos de Ferro na Literatura']


 


 

[Guia Oficial dos Caminhos de Ferro de Portugal - Maio de 1948]

[O horário da linha do Sabor desde 16 de Dezembro de 1945]

Salientam-se os comboios efetuados nos dias de feira em Mogadouro (mensais e Gorazes no dia 15Out) e a indicação do serviço de camionagem combinado com o caminho de ferro




 

[Linha do Sabor / Foto Autor desconhecido]

Caminho de Ferro na literatura portuguesa 

Bulhão Pato, não entusiasta dos comboios, escreveu em carta a Alexandre Herculano:
"A poesia respira-se no ar, como a fragância das flores; e a atmosfera dos nossos dias, obscurecida pelo fumo das máquinas a vapor, rouba aos olhos as suaves e encantadoras perspectivas da natureza..."

Alexandre Herculano responde:
"Não, a máquina a vapor é um dom do céu, um instrumento de progresso legítimo, uma fonte de cómodos e gozos para o género humano, como o foram o arado, o navio, a imprensa, para os homens que os viram nascer.
A máquina a vapor leva o agasalho e conforto, a limpeza, a saúde, às choupanas do povo, onde, sem ela, só habitaria por séculos a miséria extrema, com todas as suas dores e agonias..."

[In 'Cem Anos de Caminho de Ferro na Literatura Portuguesa' compilação do Eng Frederico de Quadros Abragão]




 

[Linha do Sabor 1983 / Foto de Jonh Phillips]

"... a distância mais curta entre dois pontos é uma curva vadia e delirante...", diz o Eça de Queiroz no seu livro 'A correspondência de Fradique Mendes' e assim era a Linha do Sabor, com um traçado serpenteado numa extenção de 105Km entre o Pocinho e Duas Igrejas.


 

[Linha do Sabor (Mogadouro-Duas Igrejas) / Foto José Ribeiro da Silva]

Pelos meandros da história...

"Em 1927, um concurso público concessionou as redes que pertenciam ao Estado (no caso linhas férreas de via estreita, Tâmega, Corgo e Sabor) à CP, que na altura era praticamente controlada pelo governo (pois havia vários anos que o Estado cobria o défice da companhia), embora se mantivesse uma companhia privada para todos os efeitos. Este acordo implicou uma série de direitos e deveres parte a parte, tornando-se a CP responsável pela gestão da maior parte da rede ferroviária nacional. 
Todavia, a CP não tinha verdadeiramente interesse nas operações das linhas de bitola estreita, pelo que subarrendou as linhas do Corgo e do Sabor à Companhia Nacional de Caminhos de Ferro e a linha do Tâmega à recém-formada Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal (que resultou da fusão das companhias de Guimarães, do Porto à Póvoa e Famalicão)...
Foi debaixo deste contexto organizacional que a rede ferroviária da via estreita cresceu um pouco mais: a linha do Tâmega chegou a Celorico de Bastos em 1932 e a linha do Sabor chegou a Duas Igrejas em 1938...
O estado esperava com esta decisão aumentar a eficácia do serviço prestado pelos caminhos de ferro tanto do ponto de vista operacional como financeiro. Porém, essa esperança não foi concretizada...
No final de 1951 toda a rede, à excepção da linha de Cascais, foi entregue à CP... "

[Fonte da Aldeia / Foto de Luís Raposo]

"In 'O COMBOIO JÁ NÃO PASSA AQUI...'
Uma viagem fotográfica pela abandonada linha do Sabor"
 


[Estação de Carviçais 1933 - Loc MD 404 / CP E164 - Foto Autor desconhecido]

17 de Setembro de 1911 - Abertura à exploração pública do 1º troço da Linha do Sabor entre Pocinho e Carviçais.

A loc MD 404 (Minho e Douro) com ano de fabrico de 1905 pela Henschel & Sohn foi renumerada para CP E164 após a integração na CP. Foi vendida em 1992 à Associação Suiça "La Traction" e restaurada nas oficinas da Deutsche Bahn em Meiningen. Voltou a circular em Setembro de 1999 no cantão do Jura e é usada em comboios históricos/turísticos.




 

[Linha do Sabor - Foto Autor desconhecido]

"... Era o progresso que se aproximava a todo o vapor, sobre carris estreitos de um metro ... porque atrelada a cada máquina vinha a possibilidade de romper as distâncias que já então separavam o resto do mundo de uma terra que até aí só conhecera o ranger ancestral dos carros de bois..."

In 'Pelo Andar da Carruagem - RTP 1'
Reportagem do Jornalista Paulo Costa

[Linha do Sabor / Foto Autor desconhecido]

"Foram 100 anos de vida curta para o grande motor que rompeu o isolamento do nordeste no final do século passado. Hoje a interioridade continua e do comboio resta apenas uma imensa saudade."

In 'Património Ferroviário ao abandono em Trás-os-Montes'

O comboio, os carris e as travessas desapareceram, restam apenas alguns edifícios em avançado estado de degradação para testemunhar que a Linha do Sabor existiu.

[Estação de Carviçais - Ago2024]
 

[Linha do Sabor - CP E206]

 

 O amigo e colega ferroviário Maximino na locomotiva CP E201





[O transporte do cimento para a construção da barragem de Picote]
[Boletim da CP Nº 328 de Outubro de 1956 - Centenário dos Caminhos de Ferro Portugueses]

 

[Linha do Sabor em 1978]

 

[Linha do Sabor - CP E204 / Foto Autor desconhecido] 

"Terra-Quente e Terra-Fria. Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, queimado por um sol de fogo ou por um frio de neve. Serras sobrepostas a serras. Montanhas paralelas a montanhas. Nos intervalos, apertados entre os rios de água cristalina, cantantes, a matar a sede de tanta aridez. E de quando em quando, oásis da inquietação que fez tais rugas geológicas, um vale imenso...."

[In 'Um Reino Maravilhoso' de Miguel Torga]