[Estação do Pocinho - CP E41 - Anos 70 / Foto de Tony Bowles]
Na entrada da locomotiva o saudoso maquinista Abílio Carvalho, o eterno 'Apita Abílio'.
O maquinista
"... Na parte final da hierarquia das locomotivas, está colocado o maquinista. Este é o verdadeiro intérprete das marchas dos combóios. Sem a sua formatura no conhecimento da ciências das máquinas a vapor, não seria possível o progresso das grandes velocidades... São os rígidos regulamentos de sinalização, o conhecimento prático do caminho a percorrer, a constante preocupação das marchas certas e o mais possível económicas, os cuidados da segurança dos combóios e, sobretudo, a tremenda responsabilidade das vidas que se lhe entregam confiadamente.
No maquinista estão os olhos, o cérebro e o guia da locomotiva... As observações rigorosas nas marchas a efectuar, os obstáculos a prever ou a remediar, as insónias exigidas pelos deveres do seu ofício, a chefia disciplinada e disciplinadora a exercer no todo da vida das locomotivas e, como agente a quem não se tolera a mínima distração, ele é o primeiro funcionário ferroviário que enfrenta as maiores responsabilidades na condução das vidas alheias. As noites tempestuosas, o frio, o calor, as desoras de toda uma vida, a incerteza e a intranquilidade, são apanágios do labor ferroviário que a ele mais afetam... ele passa desapercebido... não é mais do que um indivíduo a confundir-se no carvão negro e nos óleos, que sujam e enodoam todas as gangas do seu uniforme..."
[In 'Memórias Dum Ferroviário' de Pedro de Freitas]