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[Pocinho na década de 70 - CP E206 / Foto Autor desconhecido]

[Pocinho - Abril 2026]



 

[Pocinho-CP E209 / Foto autor desconhecido]

Um artigo da Gazeta CF Nº 1928 de 16Ago1968, com o título 'As ligações ferroviárias com a Espanha e a França e a exploração dos ramais do Norte', dizia:

"...Presentemente, a C. P. estuda a modificação da exploração de alguns ramais ferroviários, nomeadamente a linha do Corgo, do Tâmega e do Sabor - exploração que se está a fazer em condições deficitárias, embora sirva muitas aldeias populosas. Fala-se, mesmo, em suprimir alguns desses ramais, o que representaria grave prejuízo para a economia daquelas regiões nortenhas...
A C. P. tem nos seus projectos servir regiões através da camionagem, estabelecendo ligações por estrada, entre estações de caminho de ferro e diversas localidades..."



[Estação do Pocinho - CPE201 / Foto autor desconhecido]

"... antigamente, a azáfama desta estação, ocupava um razoável número de trabalhadores: 
oficinas, manutenção, Linha do Douro, Linha do Sabor..."

 

[Linha do Sabor / Rampa Pocinho - Moncorvo / Foto Autor desconhecido]

[In 'Gazeta CF Nº 1480' de 1949]


[Pocinho - ME2 e ME4 / Foto Autor desconhecido]

O objectivo na utilização destas automotoras passava pela diminuição de custos de operação em linhas de tráfego reduzido. Em vez da composição formada por locomotiva, carruagens e vagões, um único veículo automotor fazia praticamente o mesmo serviço. Foram construídas em 1948 nas oficinas da CP em Lisboa com peças de automóvel e motores Chevrolet. Tinham 11 lugares em 1ª classe, 16 lugares em 2ª Classe, 10 lugares em pé e uma bagageira colocada na retaguarda.

 

[Pocinho - CP E204 e CP E54 / Foto de Werner Hardmeier em Julho 1974]

 

 

[Estação do Pocinho / Foto autor desconhecido]

Regras de utilização das automotoras

A lotação é rigorosamente limitada, não se obrigando a Companhia a fazer qualquer desdobramento. Só podem ser transportados volumes de mão e as bagagens despachadas desde que haja espaço disponível no local que lhes está reservado. A restante bagagem terá seguimento por qualquer outra automotora que tenha espaço disponível ou pelo comboio que circule imediatamente antes ou depois da automotora.

[In 'Guia Oficial dos Caminhos de Ferro de Portugal']


[CP E203 na ponte do Pocinho final da década de 60 / Foto Autor desconhecido]
[Set 2024]
"Longa foi a duração da construção da Ponte do Pocinho, mas larguíssimo foi o processo para a decisão de a construir. Por ela muito se esforçaram os Povos e as Vereações da região. Serviu a Ponte o trânsito rodoviário durante 70 anos (e o ferroviário pouco mais), até à conclusão da construção da Barragem Hidroeléctrica do Pocinho, cujo coroamento foi aproveitado para uma nova travessia do Douro, escassa centena de metros a montante (cujas descargas colaboram no descalçamento da Ponte). É certo que a Ponte já não satisfazia as exigências do moderno tráfego rodoviário. Lembrámo-nos de ver autocarros e camiões atrancados à sua entrada ou saída, razão pela qual já nos últimos anos da sua actividade foram picadas as suas esquinas. A rodovia que ela servia até à vila de Torre de Moncorvo, fora também já substituída nos inícios do ano de 2005 por uma variante rápida ao Itinerário Principal 2. Quanto à sua função ferroviária, essa cessou praticamente a partir de 1979, pois a CP suprimiu os comboios de passageiros na Linha do Sabor, mantendo ainda durante algum tempo as velhas locomotivas a vapor para o serviço de mercadorias, na sua recorrente prática da “morte lenta”. Registamos desde então o estado de completo abandono a que foi submetida, depois de ter perdido a sua função inicial. Este singelo artigo, ... é mais um de vários, para lembrar aos poderes públicos da necessidade de se proceder ao seu restauro, para desfrute dos vindouros e respeito pelo Passado."

[In 'Revista Memória Rural' texto de Carlos d'Abreu]
 


[Estação do Pocinho em 1974 / Foto Autor desconhecido]

Ano de 1974, a estação do Pocinho em plena actividade com comboios de passageiros para o Porto e Barca d'Alva, este com a locomotiva CP 1429. A CP E201 também já está pronta para traccionar o comboio de passageiros pela linha do Sabor até Duas Igrejas.

 

[CP E216 na Ponte do Pocinho / Foto Autor desconhecido]

[In 'Revista Memória Rural']




 

[Estação do Pocinho]

 

 

Ponte do Pocinho

[Gazeta CNF 371 de 1Junho1903]

[Gazeta CNF 376 de 16Agosto1903]

... e a ponte foi efectivamente a porta de comunicação para o Nordeste Transmontano


[Fotos de Autores desconhecidos]

Mas quase tudo na vida é feito de ciclos, cada um deles com princípio, meio e fim... 
e a Ponte Rodo-Ferroviária do Pocinho não foi excepção apesar de ser uma bela obra de engenharia do ínicio do século XX.
















[Estação do Pocinho, CP E41 na década de 70 / Foto autor desconhecido]



 



[Estação do Pocinho - CP E41 - Anos 70 / Foto de Tony Bowles]
Na entrada da locomotiva o saudoso maquinista Abílio Carvalho, o eterno 'Apita Abílio'.

O maquinista

"... Na parte final da hierarquia das locomotivas, está colocado o maquinista. Este é o verdadeiro intérprete das marchas dos combóios. Sem a sua formatura no conhecimento da ciências das máquinas a vapor, não seria possível o progresso das grandes velocidades... São os rígidos regulamentos de sinalização, o conhecimento prático do caminho a percorrer,  a constante preocupação das marchas certas e o mais possível económicas, os cuidados da segurança dos combóios e, sobretudo, a tremenda responsabilidade das vidas que se lhe entregam confiadamente.
No maquinista estão os olhos, o cérebro e o guia da locomotiva... As observações rigorosas nas marchas a efectuar, os obstáculos a prever ou a remediar, as insónias exigidas pelos deveres do seu ofício, a chefia disciplinada e disciplinadora a exercer no todo da vida das locomotivas e, como agente a quem não se tolera a mínima distração, ele é o primeiro funcionário ferroviário que enfrenta as maiores responsabilidades na condução das vidas alheias. As noites tempestuosas, o frio, o calor, as desoras de toda uma vida, a incerteza e a intranquilidade, são apanágios do labor ferroviário que a ele mais afetam... ele passa desapercebido... não é mais do que um indivíduo a confundir-se no carvão negro e nos óleos, que sujam e enodoam todas as gangas do seu uniforme..."

[In 'Memórias Dum Ferroviário' de Pedro de Freitas]



 




[Estação do Pocinho nos anos 70 - CP 280 e ME1 / Foto Werner Hardmeier]

[Estação do Pocinho em 2025]


Horário desde 1 Outubro de 1972 publicado no Guia Geral de Caminhos de Ferro em Agosto de 1973.
[Foto gentilmente partilhada pelo Rui Damasceno Rato]

Salienta-se a nota 'ATENÇÃ0 - Nas Automoras tem preferência os Passageiros que se destinem a maiores distâncias'.

A lotação das automotoras (ME) era apenas de 28 lugares e só havia paragem nos apeadeiros se houvesse passageiros para embarcar ou desembarcar.

[ME 4 na Estação do Pocinho / Foto autor desconhecido]


 

[Estação do Pocinho - Loc CP E213 / Set2024]

"A Locomotiva... 
Uma inútil caldeira contendo alguns tubulares muito comidos pelo calcário proveniente de milhões de litros de água, que por eles passaram, era, naquele fúnebre recinto, a voz da que outrora fora a austera máquina a vapor... As épocas sucedem-se umas às outras... é por isso mesmo, que aqui, neste vale das coisas esquecidas, já nada sou... é a minha história e a minha vida..."

[In 'Memórias Dum Ferroviário' de Pedro de Freitas]


 

[Pocinho na década de 70 / Foto autor desconhecido]

"... Lembra Jorge Nunes que, no II Congresso Transmontano (1940), se alertara para o declínio da exploração, sem investimento, nem «modernização da infraestrura e do material circulante». A via estreita encolheu com a insegurança, «carruagens velhas, horários irregulares» para a geral desativação..."

In prefácio de Ernesto Rodrigues no livro 'Ferrovia em Trás-os-Montes memória do passado, luta do presente' do António Jorge Nunes

...e  o que resta em Julho 2025.


[Estação do Pocinho-CP E201 / Foto Autor desconhecido]
 

[Estação do Pocinho- CP ME1 e ME4 / Foto Autor desconhecido]

"... Deixou a Linha do Sabor de transportar passageiros nas velhas e já desengonçadas carruagens de dois eixos e plataformas abertas, rebocadas por locomotivas a vapor, em data anterior a 2Setembro1979  (data de entrada em vigor do horário da via), continuando contudo a realizar esse serviço nas desengonçadas automotoras azuis, complementado por autocarros da CP, num prenúncio claro dos objectivos em vista...."

In 'A linha do Vale do Sabor - Um Caminho-de-Ferro Raiano do Pocinho a Zamora'
Coordenação de Carlos d'Abreu