Durante a elaboração dos estudos realizados para a Linha do Sabor surgiu a hipótese de traçar um caminho de ferro, que atravessaria a vila com destino até Miranda do Douro. Neste plano, previa-se a construção da estação próxima da zona urbana da vila. Este projeto ficou sem efeito, devido a questões técnicas, aos elevados custos das obras e interesses políticos, que não desejavam explorar esta zona transmontana, apesar das diligências do Câmara Municipal dirigidas ao ministro do Fomento.
[Notícia da Gazeta dos Caminhos de Ferro Nº 575 de 1 de Dezembro de 1911]
Confirmado o traçado da Linha do Sabor, a Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta foi informada que a localização do seu apeadeiro ficaria no ponto mais próximo do caminho de ferro do Vale do Sabor com o centro urbano (diga-se, cerca de 19Km), um local conhecido como Vale dos Ladrões e que foi durante muitos anos recordado por alguns conflitos entre Torre de Moncorvo, Mogadouro e Freixo de Espada à Cinta.
Uma má notícia para a população que não tinha meios e vias de comunicação para aceder à respetiva paragem.
A inauguração como apeadeiro realizou-se no mesmo dia do segundo troço da Linha do Sabor, no dia 6 de julho de 1927. No ano seguinte, em 26 de Abril de 1928, o Ministério do Comércio e Comunicações eleva a categoria do referido apeadeiro para estação.
Houve alguns projetos que visavam integrar a estação com o município, tendo como principal objetivo a construção do lanço de Freixo de Espada à Cinta à estação dos Caminhos de Ferro. Em Agosto de 1928, a Direcção Geral de Caminhos de
Ferro ficou responsável, numa fase preliminar, pela construção desta via, no entanto, o projeto viria a
ser adjudicado à J.A.E.
Da memória descritiva do referido projecto importa salientar e
citar o interesse funcional que a estação tinha na época.
«Deve produzir o concelho de Freixo na parte a sair por esta estação cerca de 1000 pipas de
vinho generoso, 1500 pipas de azeitona para conserva, 900 pipas de azeite, 2.500 arrobas de
amendoa, fruta, entre ela saborosissima laranja das arribas, cereal, lã, ortaliça, etc. Não admira
portanto quer o gesto da Companhia Nacional quer os pedidos da região.
Não sabemos as razões que levaram a projectar o apeadeiro citado e a deixa-lo isolado, sem
acesso absolutamente nenhum.»
Em Novembro de 1931, o Conselho Superior de Obras Públicas aprovou o projeto da J.A.E.
para o troço entre a vila de Freixo e a sua estação - EN 37 - 2ª (lanço com uma extensão de 14.579,91 metros)
[In 'Pare, Escute e Olhe - Estação Ferroviária de Freixo de Espada à Cinta / Master de Diogo P Azevedo]














