[CP E203 na ponte do Pocinho final da década de 60 / Foto Autor desconhecido]
[Set 2024]
"Longa foi a duração da construção da Ponte do Pocinho, mas larguíssimo foi o processo para
a decisão de a construir. Por ela muito se esforçaram os Povos e as Vereações da região.
Serviu a Ponte o trânsito rodoviário durante 70 anos (e o ferroviário pouco mais), até à conclusão da construção da Barragem Hidroeléctrica do Pocinho, cujo coroamento foi aproveitado para
uma nova travessia do Douro, escassa centena de metros a montante (cujas descargas colaboram
no descalçamento da Ponte).
É certo que a Ponte já não satisfazia as exigências do moderno tráfego rodoviário. Lembrámo-nos de ver autocarros e camiões atrancados à sua entrada ou saída, razão pela qual já nos
últimos anos da sua actividade foram picadas as suas esquinas. A rodovia que ela servia até à vila
de Torre de Moncorvo, fora também já substituída nos inícios do ano de 2005 por uma variante
rápida ao Itinerário Principal 2.
Quanto à sua função ferroviária, essa cessou praticamente a partir de 1979, pois a CP suprimiu
os comboios de passageiros na Linha do Sabor, mantendo ainda durante algum tempo as velhas
locomotivas a vapor para o serviço de mercadorias, na sua recorrente prática da “morte lenta”.
Registamos desde então o estado de completo abandono a que foi submetida, depois de ter
perdido a sua função inicial.
Este singelo artigo, ... é mais um de vários, para
lembrar aos poderes públicos da necessidade de se proceder ao seu restauro, para desfrute dos
vindouros e respeito pelo Passado."
[In 'Revista Memória Rural' texto de Carlos d'Abreu]



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