[Linha do Sabor / Foto Autor desconhecido]
A Automotora da Linha do Sabor
"A automotora desengonçada
(Irrequieta maquineta)
Mas engraçada...
Qual brinquedo interessante
E fascinante!
Só parava um instante.
Era divertida e colorida
Atraente e transparente
Se via o seu interior
A transbordar de calor,
Com rapidez corria
Parecia
Que o coração lhe saltava
De tanto que pulava!
Muito acolhedora
Alegre e encantadora
Era até sedutora...
Convidava a entrar e a sentar
Ao pé de quem te apetecia
Que encontros...
Que bagunça pelos estudantes
que a apanhavam no dia a dia
Para os colégios
De Moncorvo ou de Carviçais
Era demais!
Logo de manhã, pela aurora,
E sempre à mesma hora,
Entravam de sorriso rasgado
Olhar curioso e fascinado
Com muito desembaraço
Livros debaixo do braço
Pois pastas não havia,
Só para níveis profissionais,
Que o estudante não podia.
Começavam as inerentes brincadeiras
Claro, com algumas maneiras
Para não incomodar
As idosas passageiras!
Tudo era motivo de riso
Mas com muito
Ou pouco juízo
Não existia a depressão
Muito menos a solidão...
O senhor condutor,
Compreensivo e tolerante,
Da automotora era um amante,
Conhecia a sua fragilidade
Mas com responsabilidade
E muita habilidade,
Suas traquinices desculpava.
Com carinho dela cuidava
Em todo o lado havia de parar
Sempre com muita atenção
Para a sua míuda não descarrilar
E lhe pôr o pé no chão!!!"
[Palavras escritas com o coração e a saudade da amiga São Feijó]