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[Linha do Sabor - Carvalhal / Foto Autor desconhecido]

A gazeta dos Caminhos de Ferro Nº 413 de 1905 publicava o seguinte artigo:




 

[Estação de Carviçaes / Foto cedida por Nuno Serra]

A Gazeta CF Nº 572 de 16 de Outubro de 1911, um mês após a inauguração do troço Pocinho-Carviçais, fazia a seguinte publicação na rúbrica Viagens e Transportes:





 

[Carta geográfica das comunicações de Trás-os-Montes/ Gazeta CNF 1290 de 16Set1941]





[O transporte do cimento para a construção da barragem de Picote]
[Boletim da CP Nº 328 de Outubro de 1956 - Centenário dos Caminhos de Ferro Portugueses]

 



DL 80/73 de 2 Março revê e legisla o enquadramento legal das linhas férreas...  e no Nº1 do Art. 19 lê-se:



 [Boletim da CP Nºs 529-531 de Julho a Setembro de 1973]
Em plena vigência do Estado Novo no contrato de concessão da rede ferroviária à CP, assinado no dia 25 de Junho de 1973 e publicado no DL 104/73, já se contemplava o encerramento das linhas:

"... a CP poderá cessar, temporária ou definitivamente, parcial ou totalmente a exploração de linhas ou ramais que não se revele comercialmente viável nem justificável por superiores motivos de interesse público..."

[Estação de Carviçais / Foto Autor Desconhecido]

No Boletim da CP Nº 400 de Outubro de 1962 foi enaltecida publicamente a honestidade de Miguel Maria Moita, Factor da Estação de Carviçais.





 

 

[Foto - arquivo pessoal do maquinista Abílio Carvalho]
Hoje, dia 18 de Dezembro, lembramos com saudade o início da carreira profissional de maquinista de que tanto te orgulhavas e te brindou para a história com o famoso nome 'Apita Abílio'. 



[Estação do Pocinho CP E209 e CP E215 / Fotos Autores desconhecidos]
 Na revista Bastão Piloto Nº 45, de Setembro de 1984, está publicado o seguinte:





Jornal Nordeste


[Notícias]
 

[Linha do Sabor - Anos 70]

 Economia de Anedota (histórias de comboios)

de

Sârrea de Barros

A linha do Tua a Bragança é uma linha bem lançada, não comete o erro de subir para descer (subir para descer é asneira), as subidas não se conjugam com curvas de raio apertado, nem tem curvas de raio inferior a 150 metros, o que lhe permite um rendimento aceitável. A comparar com as linhas que o Estado fez, com curvas de 75 metros de raio e ainda menos, como veremos, e o que ainda é pior, é que essas curvas estão em rampas limites de subida para as máquinas a vapor. Juntaram os dois males.
Vamos ver isso mesmo, vamos tripular uma locomotiva, mas das antigas. Logo à saída do Pocinho começa a subida, na ponte sobe a 1,8%, mas imediatamente passa a 2,5%. Subida máxima, raio mínimo, curvas apertadas, tração penosa, extremamente forçada. O pobre fogueiro sua a atiçar o fogo, não descansa a meter pás de carvão e gastamos 42 minutos para vencer os 12 Km até Moncorvo. Ali à chegada à estação sentimos um solavanco para a esquerda logo seguido de outro solavanco para a direita. Há ranger de ferros. Descarrilamento? Não. Foi apenas a passagem nas agulhas. É que aqueles dois segmentos de curva, na agulha e na cróssima são da ordem de 60 metros! E para quê? Só por bizarria, pois está lá o espaço livre para se fazer o desvio como deve ser. E naqueles 12 Km a nossa locomotiva vaporisou um «tender» de água, que num traçado normalmente feito chegaria para 60Km.
Chegamos a Carvalhal, a estação onde se carregava o minério de ferro. São percorridos 22 Km, e nesse percurso passamos por 124 curvas. Estão lá marcadas. Deve constituir recorde mundial. Todas as curvas fechadas. Se fossem curvas largas, de raio maior, não caberiam tantas em tão curto trajecto. Continua a subir, escusadamente sobe, porque logo tem de descer. É a tal asneira. Seguimos a encosta do Sabor até Carviçais. Aí passamos para a encosta do Douro, mas em Freixo voltamos à encosta do Sabor, para mais adiante, a 1 Km nos encontrarmos outra vez na vertente do Douro e assim continuamos. Mais uns quilómetros, temos a subida para Vilar de Rei. Agora, temos de abrir um passador que dá lugar à saída do vapor directamente da caldeira para os cilindros de baixa pressão, que assim ficam a trabalhar como cilindros de alta. O vapor sai da caldeira, expande-se parcialmente nos cilindros de alta e completa a sua expansão nos cilindros de baixa. Agora, tudo trabalha, todos os cilindros consomem vapor a alta pressão. Exagerado consumo de carvão.
Reparo nos tubos indicadores do nível de água: nada, a caldeira já não tem água mas como agora é a descer, só há o arranque e lá chegamos a outra grua em Mogadouro. Subir para descer é a tal asneira agora consumada. E porquê ou para quê? Para não cortar umas hortas que haveria a expropiar. Foi preciso levar o comboio ao cimo do povoado, à terra mais pobre, mais barata, para depois ter outra descida. Tal como saiu do Pocinho, subindo a serra, por terrenos mais pobres, até maninhos, para não haver expropriações, sempre às curvas e contra-curvas para não ter de furar um monte ou fazer um viaduto, sem uma obra de arte. Tudo pelo barato sem se reparar que o barato sai caro. Cara a exploração.
Chegamos a Sendim. Logo à saída da estação começa uma descida de 2,25%, pois foi para este lado que fizeram a linha de cais, o desvio para os vagões de carga. Não se pode mudar um vagão à mão porque logo que chegue à lança da agulha está na descida. Os homens não podem segurá-lo e lá foge, linha a baixo. Ao outro dia lá vem o mostrengo na frente da máquina. Pois se a linha do desvio fosse feita no outro extremo não haveria este problema. Parece que só houve um propósito: generalizar o despropósito.
Chegamos a Duas Igrejas e vamos regressar. Notamos que a construção da via foi tão barata que nem precisou sequer de aquedutos, uma valeta deita a àgua para o Douro, outra valeta deita a àgua para o Sabor. No regresso não haverá tais problemas, pensará o leitor, certo é, mas vai haver outros, não se pode andar depressa. Nem que tivesse de ganhar tempo por ter atrasado. Seria punido se naqueles 12 Km de Moncorvo a Pocinho gastasse menos de 25 minutos! Obrigado a andar devagar, outro recorde nacional.
Velocidade comercial inferior a 20 Km/hora, apenas 80 toneladas de carga útil, 5 toneladas de carvão queimado. A engenharia do Estado não fez melhor. Não quis fazer obra útil. Nem decente.
Agora, dizem-nos que serão os povos transmontanos a pagar os custos como se nós tivessemos alguma culpa do desacato, como se por nosso erro estivessemos em causa e tivessemos perdido o pleito. Então teríamos de pagar não só os custos mas as custas.
Dizem-nos, ainda, que o Mercado Comum vai resolver tudo. Assim, como estamos perto da raia, mais uns postos fronteiriços abertos e já não se falará mais nos nossos comboios. Nem precisaremos deles. De Espanha vem tudo melhor. Não é como dantes. Até a televisão é melhor do que a nossa. Economia anedótica.
Os nossos dirigentes estão a pensar mal. E a agir pior. E cada vez pior. Mas há remédio para isto, valha-nos Deus. Vê-lo-emos.

[a tarde / Nº 732 / II Série / Sexta-feira 12/04/1985]





...

..., Larinho, Carviçais, Lagoaça, Variz, ...

..., Urrós, Freixo-Espada à Cinta, Mogadouro, ...


[In 'Boletim da CP Nº 393' - Março 1962]


 

 



[Ponte Rodo-Ferroviária do Pocinho / Fotos Edite Vaz - Set 2024]

Num artigo de opinião publicado na revista Expresso em 01 JULHO 2024, Agostinho Lopes escreveu:

"...Julgo que poderíamos alargar para os quase 50 anos o triste período do“ferrocídio”, pois o encerramento, por exemplo da Linha do Sabor(Pocinho-Moncorvo/Duas Igrejas-Miranda do Douro), começou a acontecer em 1979 durante um Governo da AD (PSD/CDS/PPM) de Sá Carneiro e Freitas do Amaral, mesmo se “oficialmente” só foi decretado em 1989. Para sermos rigorosos na definição de responsabilidades políticas e em termos de legislação, o diploma primacial da liquidação da via férrea foi o Decreto-Lei 63/83 de 03FEV83 do Governo AD dePinto Balsemão, aliás já demitido quando o fez publicar. E acrescente-se que esta política tinha tido já (como lembra o autor do artigo) uma 1ª versão como fonte inspiradora antes do 25 de Abril, com o Decreto-Lein.º 80/73 do Governo de Marcelo Caetano, que no Art.º 2.º, alínea c) dizia preto no branco: “A supressão de linhas e ramais que se não mostrem social ou economicamente justificáveis (…)”.

[Macieirinha-Carviçais / Anos 70]

A Fundação Ferrocaib, criada em 2008 pela Associação dos Amigos do Caminho-de-Ferro das Ilhas Baleares, 
adquiriu a E215 que, após mais de uma década ao abandono na Régua, chegou a Maiorca em 2009 
e o JN, em 21 de Agosto desse mesmo ano, publicou a seguinte notícia:




 

[Linha do Sabor / Foto de Timphotos]

...e no dia 1 de Agosto de 1988, há 36 anos, o Maquinista Abílio Carvalho, com esta locomotiva diesel da série 9000, conduziu o último comboio que circulou na Linha do Sabor.

Coincidências, 1 de Agosto???!!! ... Precisamente, no dia1 de Agosto de 1903, há 121 anos, a Gazeta dos Caminhos de Ferro publicava um extenso artigo
'Pocinho a Miranda', do engenheiro e jornalista José Fernando de Sousa.

"...O  planalto entre o Douro e Sabor constitui uma extensa zona, que abrange os concelhos de Moncorvo, Freixo, Mogadouro, Vimioso e Miranda, afamada pelos seus notáveis jazigos ferríferos de Roboredo, pelas pedreiras de mármore e alabastro de Santo Adrião e pelo valor dos seus produtos agrícolas e especialmente pecuários... o planalto em que se estende está quasi privado de communicações... Da estrada real Nº9 que, vinda da Beira, atravessa o Douro no Pocinho e segue por Moncorvo e Mogadouro até à fronteira, pouco há feito, faltando logo à entrada a ponte sobre o Douro próximo da estação do Pocinho... Ao illustre ministro das obras públicas, o sr. Conde de Paçô Vieira, que tomou a peito a construção da linha  e que deixa o seu nome aureolado pela benemerencia da energica e intelligente iniciativa, deve todavia a região de entre Douro e Sabor o mais assinalado serviço...."

Em Janeiro 1985 a Associação do Nordeste Transmontano emitiu um comunicado 
'Encerramento da linha do Sabor e a defesa dos interesse da região' 
que também foi publicado pela revista Bastão-Piloto Nº 51 da APAC em Março de 1985.

  • Em 30 de Março de 1984, contrariando a vontade das populações, foi celebrado entre o Ministério do Equipamento Social, CP, Governo Civil e as Câmaras Municipais de Vimioso, Freixo de Espada à Cinta, Moncorvo, Mogadouro, Mirandela, Macedo de Cavaleiros, Bragança e Miranda do Douro, um acordo tendo em vista o encerramento da via férrea do Sabor. Como pretensas contrapartidas são apresentadas as seguintes acções:
  1. Repavimentação das Estradas Nacionais entre Guarda, Figueira de Castelo Rodrigo, Pocinho, Moncorvo, Freixo, Mogadouro e Miranda do Douro.
  2. Implementação de um terminal TIR na cidade da Guarda de serventia à zona Nordestina e à zona Beirã
  3. Construção da ponte sobre o Rio Angueira na EN219 entre Azinhoso e Algoso
  4. Reconversão da Linha do Sabor em linha de interesse turístico, com exploração pelas Câmaras Municipais
  5. Estudo de reforços de serviços rodoviários
  6. O pessoal afecto à linha ou continuará ligado à CP ou será integrado nos quadros de pessoal das Câmaras Municipais.
...o acordo celebrado entre as citadas autarquias e o governo tem sido objeto de várias criticas, entre as quais se destacam:
  • Ausência de visão de conjunto que fundamente as acções compensatórias dos prejuízos decorrentes do encerramento da linha férrea
  • Pobreza das acções acordadas, com a agravante de parte substancial destas medidas se localizarem fora da área da linha férrea
  • Ausência de verdadeiro sistema rodoviário alternativo à linha férrea
  • Falta de um plano turístico sub-regional, pelo que se considera irrealista a ideia de inserir a linha férrea com a classificação de interesse turístico... 




 

 [Estação do Pocinho / 27 de Setembro de 1979]

Manifestação contra o encerramento da Linha do Sabor

... Setembro de 1979, quando perante a ameaça do encerramento da linha, "os povos de entre-Sabor-e-Douro pegaram em estadulhos, varapaus, alfaias agrícolas e tudo o que lhes veio à mão para defender o seu comboio, barricando a ponte do Pocinho (o único atravessamento anterior à barragem) e mantendo-a sequestrada, juntamente com uma automotora em Bruçó e um comboio no Pocinho, onde o povo arrancou dezenas de metros de carril para não o deixar seguir para baixo", de acordo com o relato do arqueólogo Nelson Rebanda deixado no blogue Torre de Moncorvo in blog. Uma semana durou a guerra do comboio, escreveu,  "que terminou com uma mão cheia de promessas (que eram paliativos) dos senhores do Governo e um contingente da polícia de choque a tomar de assalto a estação do Pocinho e a proteger a reconstrução da linha. O povo ainda rosnou de longe e ameaçou com pedras, mas estancou perante os capacetes, viseiras, escudos e bastões de muitos que até seriam transmontanos"...

[In 'Jornal Público' de 5 Dez 2009]
[Pocinho a Miranda]

No dia 28-7-1903, há precisamente 121 anos, o engenheiro e jornalista José Fernando de Sousa, à data conselheiro do Ministro das Obras Públicas, Comércio e Industria, 
Conde de Paçô Vieira, escreveu um artigo 'Pocinho a Miranda' que seria publicado na Gazeta dos Caminhos de Ferro de 1 Ago 1903 e entre outros assuntos, referia:

[...Quando a nevrose dos dirigentes do Porto determinou a celebre providencia conhecida pela Salamancadaprognosticava-se, voz em grita, que sem o prolongamento da linha do Douro até Salamanca, a herva cresceria nas ruas do Porto. Fez-se a linha à custa de pesado onus que annualmente recae sobre o Thesouro e mercê de uma crise bancária a que o governo teve que acudir. 
O sonhado trafego internacional não veiu, achando-se ao presente representado por 
1.500 passageiros e 10.000 toneladas de mercadorias por anno!

Quanto melhor não teria sido prolongar a linha do Douro por Moncorvo e proximidades de Miranda ou Vimioso à fronteira, 
a ligar em Zamora, com a rêde hespanhola! 
Não seria talvez maior o minusculo trafego internacional, mas dava-se a uma vasta região nossa o instrumento imprescindivel da sua transformação económica, redundando assim em proveito do paiz o quasi inutil sacrificio que se lhe exige..."

[Estação de Bruçó - E203]

[Lei 1327 de 25 de Agosto de 1922]

[Linha do Vale do Sabor - Vão prosseguir as obras de construção da linha para além de Carviçais, 
devendo muito brevemente  proceder-se ao assentamento da via até Mogadouro, numa extensão de 43 quilómetros.
Nesse percurso já há anos que se encontram construídas as estações de Freixo de Espada-à-Cinta, Lagoaça e Bruçô.
Oxalá que desta vez não sejam interrompidos os trabalhos desta linha cuja conclusão tanta falta está fazendo
 a parte da região de Trás-os-Montes por ela servida, até Miranda, em que, entre outras riquezas se encontram
 os magníficos mármores de Vimioso quási inexplorados por falta de meios de transporte.]

[Notícia da Gazeta CFN925 de 1de Julho de 1926]
 


Inauguração do último troço da Linha do Sabor, Mogadouro-Duas Igrejas, em 22 de Maio 1938


[Fotos Autor desconhecido / Loc MD 464 posteriormente renomeada para CP E 214]

Na Gazeta dos Caminhos de Ferro, o Eng. Fernando de Souza relevou a inauguração, descreveu a 'odisseia' da construção da linha e referiu também, 
"...Falta apenas construir o troço de Duas Igrejas a Vimioso para ficar concluída a linha tal como foi classificada em 1930 no Plano Geral da Rêde..." , 
mas... ficou apenas no Plano.




Em 1885, e a propósito de inaugurações anteriores, o Guerra Junqueiro escreveu 
"In A Velhice do Padre Eterno"

A obra está completa. A máquina flameja
desenrolando o fumo em ondas pelo ar.
Mas antes de partir mandam chamar a Igreja,
que é preciso que um bispo a venha batizar

...Devem nela existir diabólicos pecados,
porque é feita de cobre e ferro, e estes metais,
saiem da natureza, ímpios, excomungados,
como saímos nós dos ventres maternais!

...Para que o monstro corra em férvido galope,
como um sonho febril, num doido turbilhão,
além do maquinista é necessário o hissope
e muita teologia... além d' algum carvão...


 

 


[Notícia do acidente ferroviário que ocorreu na curva da estação do Larinho em 1951]


[Foto do acidente gentilmente cedida pelo Professor Arnaldo Silva]

[Notícia... 29 de Janeiro 1920]