[CP E215 próximo de Sendim / Foto de Jonh Phillips]
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[Estação de Carviçais - Loc. CP E215 em Jun 1985]
À data circulavam apenas os comboios de mercadorias e, na foto, já está bem evidente o estado de degradação da via. O maquinista, primeiro da esquerda, era o Sebastião Elias... Também ele fez a maior parte da sua carreira profissional ao serviço da Linha do Sabor. Apanhei a sua promoção a Fogueiro de 1ª Classe no Boletim da CP Nº 404 de Fevereiro de 1963 e a promoção a Maquinista de 1ª Classe no Boletim da CP Nº 517 de Julho de 1972.
[Moncorvo CP E215]
Isabel Mateus, uma escritora transmontana das Quintas dos Coriscos, Torre de Moncorvo, radicada no Reino Unido desde 2001, tem já uma vasta obra publicada salientando-se as temáticas sobre o Portugal rural e a diáspora.
A estória do romance "Anna, A Brasileirinha de S. Paulo" enquadra-se no período da emigração portuguesa para o Brasil durante a Primeira República. Os comboios que começaram oficialmente a circular a 17 de Setembro de 1911 no troço Pocinho-Carviçais, era o meio de transporte para os emigrantes chegarem até ao porto de Leixões e a Isabel fala-nos dessas partidas nos seu livro:
'...Decorria então o ano de 1912... De Torre de Moncorvo saem nesse ano 914 emigrantes para o Brasil, entre os quais o Carlos Alberto e o Manuel Joaquim... o ano de 1912 tinha sido de pouca fartura e a colheita do centeio, em especial, muito fraca, no nordeste. Isto tudo associado ainda a intempéries, provoca a carestia e a "fuga desvairada". Uma miséria!... Afinal, foram os dois irmãos que deixaram a aldeola numa manhã fresca de Outubro. E o macho que o pai, o ti Lanceiro, segurava pela arreata carregou serra acima os parcos haveres que levavam com eles para a viagem... Largou-os, depois o velho, a eles e à tralha na estação de comboios da Vila. De seguida os filhos despediram-se dele... Engalanado com o seu fato novo de sorrubeco, o Manuel Joaquim entrou logo na carruagem mais próxima para arranjar o melhor lugar e acomodar os pertences. Apesar de manifestar um certo sentimento de dor antes deste passo da partida... o ímpeto da libertação continuava a soar-lhe mais alto... Só Carlos Alberto precisou de se demorar um pouco mais, opondo resistência aos escassos minutos do adeus. Mas, apenas teve tempo de dar novo abraço ao progenitor e depois de isso ajeitar o chapéu braguês na cabeça. Este, com lágrimas como punhos na alma... subiu, por sua vez, para a mesma carruagem em que já se havia instalado o irmão. E a recomendação, em voz alta, que desferiu em direção ao assolado pai, e que deixava perplexo para trás, através da janela semiaberta do compartimento, foi abafada pelo silvo da máquina de ferro a deitar fumo... Mesmo sem entender o que o filho dizia, mas que facilmente intuíra...acenou-lhe com a mão e meneou em simultâneo a cabeça em sinal de concordância. O que Carlos Alberto já não pôde descortinar foi o desespero estampado no rosto paterno, porque se dissipou por entre o fumo que a locomotiva, em início de andamento, expelia pela chaminé sobre a via-férrea...'
[In 'Anna, A Brasileirinha de São Paulo' de Isabel Mateus]
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